Este artigo de revisão, elaborado em Março de 2002, procede a uma síntese crítica de resultados de onze estudos empíricos publicados entre 1995 e 2001 sobre o impacto de diferentes sistemas de incentivos, económicos e não económicos, na actividade profissional dos médicos, a níveis distintos: eficiência, qualidade e satisfação profissional.
Numa secção introdutória é explicitado o necessário enquadramento conceptual do tema, a sua relevância teórica e política é defendida, e o processo de selecção dos estudos seleccionados para revisão é descrito.
Na secção seguinte, a evidência empírica é discutida em três pontos: impacto dos incentivos financeiros na utilização de recursos dos serviços de saúde, eficiência e custos; seu impacto na satisfação profissional dos médicos e qualidade dos cuidados; por fim, efeitos dos aspectos não financeiros dos sistemas de incentivos na satisfação profissional.
O artigo termina com uma síntese de conclusões, sublinhando que os sistemas de incentivos distorcem a prática médica por comparação com um cenário (irreal) de inexistência de incentivos, que a dimensão do impacto dos incentivos económicos parece ser menor do que certas formulações teóricas supõem e que os incentivos não financeiros à actividade dos médicos têm um papel autónomo considerável na sua motivação e um forte poder de complementarem o dos incentivos financeiros. Pelo que, do ponto de vista político, se recomendam modelos de pagamento a médicos de tipo misto, com objectivos quantitativos e qualitativos explicitados, atentos à cultura e especificidades próprias do grupo profissional em questão e à qualidade do ambiente organizacional.